Nós moramos no Recife, capital de Pernambuco. Temos treze anos de idade e estudamos em um colégio chamado Fazer Crescer e cursamos a 7ª série.
No dia 21 de outubro, fizemos uma viagem da escola com o objetivo de conhecermos mais o Agreste Pernambucano, que é tão rico em sua cultura, como esquecido, por todos. Nossa viagem foi tão legal, tão legal, que nós estamos fazendo um diário de campo, bem interessante e informativo, falando desde a cultura até a economia e problemas sociais de nosso querido Agreste Pernambucano!
Agora, vamos começar a falar sobre a nossa incrível aventura ao agreste Pernambucano.
No dia 21 de outubro, estava um dia muito bonito, céu limpo poucas nuvens um belo dia para uma excursão ao ar livre. Nós estávamos ansiosos à espera do ônibus, que nos levaria ao Agreste Pernambucano. Nosso transporte atrasou um pouco, mas nada nos desanimava.Mais ou menos às 7h35 nós saímos de nosso colégio, com expectativas a mil, estávamos muito ansiosos à espera daquela viagem, que a tantos dias nos preparávamos. Os guias Cleonice e Fábio foram super legais, pois a cada lugar interessante que passávamos, eles nos falavam várias coisas interessantes, e também eram muito pacientes, pois eles repondiam a todas as perguntas que fazíamos, até o fim.

Logo saindo da cidade do Recife pegamos um pequeno pedaço da BR 101, depois entramos na BR 232, nesta via passamos pela faculdade da UFPE, Universidade Federal de Pernambuco, que é uma das melhores universidades da região. Passamos pelo quartel e o batalhão da policia. Um pouco mais à frente o pólo industrial de Jaboatão, onde se encontra muitas indústrias como a Rayovac, Unilever, Philips, etc.

Por volta das 7h50 entramos na BR 408,que nos levaria até a capital do artesanato em barro,Tracunhaém, que fica na Zona da Mata.
Na estrada que nos levaria a Tracunhaém, pudemos observar a vegetação local, que a cada quílometro muda. No início vimos uma densa floresta de Mata Atlântica(como se pode ver nas fotos), mas quando começamos a chegar às plantações de cana-de-açúcar que se estendiam por quilômetros, observamos

Plantação de cana com resquícios de Mata AtlânticaÀs 8h30 passamos pela cidade de São Lourenço da Mata, onde existem muitas olarias graças ao solo que é bom para a extração do barro. São Lourenço da Mata marca o início da Zona da Mata. Após isso, passamos por Paudalho, onde
a economia baseia-se na monocultura
da cana-de-açúcar e a produção de etanol. Você sabia que o nome Paudalho é por conta dos primeiros habitantes da região que ao chegarem às margens do rio Capibaribe sentiram um forte cheiro de alho que vinha de uma árvore característica da região chamada Pau-d’alho, daí o nome de sua cidade. Passamos também por Carpina que e uma pequena cidade que se sustenta através da agricultura. Que também tem este nome, pois quem a fundou foi um carpinteiroÀs 9h00 chegamos a Tracunhaém cidade que fica a 72 km do Recife. Ainda não estávamos no Agreste. Ah! Você sabia que Tracunhaém é um dos maiores centros de cerâmica de nosso país? Pois é, lá existem vários ateliês com alguns dos maiores mestres de artesanato do país. Por isso é que boa parte da renda da cidade vem do artesanato. Mesmo sabendo disso não damos o seu devido valor e respe
ito. Daí nosso colégio ter feito esta viagem
para que nós conhecêssemos melhor a nossa cultura.Antes de partimos para as entrevistas e visitar os ateliês, paramos na entrada da cidade onde vimos um jardim com flores, árvores e belas obras de arte dos artesãos da cidade.
Saindo deste jardim entramos na cidade onde entrevistamos o mestre Ednaldo Félix da Silva, de 42 anos, que foi muito gentil em nos responder pacientemente todas as nossas perguntas, e também nos explicou o processo de uma obra específica, a Dondoca(espécie de boneca de barro, com bastante detalhe)
Primeiramente, se prepara o barro, que pode vir da Paraíba (barro branco) ou de lá mesmo (barro negro). Ele demora uns quinze dias para ser preparado. Nesse preparo o mestre ou o seu ajudante tira impurezas do barro. Estando o barro pronto, o mestre começa a dar a forma a sua peça. Ele faz isso em um dia. Lembre-se que estamos falando especificamente da dondoca.
No dia seguinte com a peça já seca, o mestre começa a dar os detalhes, como a roupa, cabelo, enfeites etc. Isso demora cerca de 30 minutos. Depois ele coloca o verniz, caso o cliente peça, e depois põe a venda. O preço final da Dondoca é em média de R$180,00,daí você percebe a tamanha desvalorização dos mestres nordestinos, que tanto se esforçam para dar o melhor de si, mas seu trabalho não é valorizado.O entrevistado disse que produzir em média 10 peças em 15 dias e arrecada entre 300 a 2000 reais por mês
DondocaApós isso, saímos de Tracunhaém e lanchamos no ônibus mesmo, e seguimos viagem. E vimos a área de transição entre zona da mata e agreste.

Uma hora e meia depois já avistávamos os imensos blocos de granito.Paramos em Bom Jardim as 12h45. Ficando a 170 metros acima do mar e a 110 km do Recife, Bom Jardim já é considerado Agreste. Nosso objetivo em Bom Jardim foi visitar a Pedreira Minérios Bom Jardim.
A Pedreira Minérios Bom Jardim está em funcionamento desde 1978 foi a primeira pedreira de granito no nordeste e a quinta no Brasil. Extraindo um dos cinco mais nobres e caros, tipos de imperial Brown (tipo de granito) ,do mundo, existem pedras que saíram de lá e hoje estão, por exemplo, na Casa Branca, no palácio da rainha da Inglaterra, Pentágono, Embaixada Americana, etc.

Nós entrevistamos o responsável pelo processo de extração, Arsênio Medeiros. Ele nos contou que de todo granito extraído, 99% vai para China, onde dali ela trata a pedra e distribui para o resto do mundo, e apenas 1% vem ao Brasil. Ele também nos falou o processo de como se extrai a pedra.
Primeiramente, há a extração do minério em bancada, que é necessário vinte pessoas utilizando máquinas e explosivos. Isso dura sete dias. O segundo processo é a divisão do bloco em pedaços menores. Ele demora apenas 5 horas e envolve apenas um funcionário.
Grande Bloco de GranitoNós gostaríamos de saber mais sobre o assunto e então fomos para outra parte da pedreira, onde há o corte e o polimento. Quem nos atendeu lá foi Mário Abuquerque responsável por este setor. Ele nos disse como ocorre a divisão dos blocos de granito em chapas, o seu polimento e os cortes em quadrantes, ladrilhos, etc. Ele nos disse que o processo é assim: Os grandes blocos de granito chegam a este lugar da pedreira, onde são transportados por grandes guindastes, vão passar pela máquina de tear, que transforma estes
Máquina de Tear
blocos em chapas(tudo isso ocorre entre seis a sete dias)com cinco pessoas trabalhando. Saindo daí a chapa vai para a grand matic, que é uma máquina que lapida a chapa. Cada chapa demora quinze minutos para ficar pronta. A grand matic funciona tendo em toda a sua extensão discos que rodam sobre a chapa. Cada disco é diferente do outro, para dar um polimento refinado.
Discos polidores da Grand Matic
Chapa já polida, acaba de sair da Grand Matic e vai direto a Serra Pont
Serra Pont Automática
Serra Pont Manual
Dessa pedreira saem vários tipos de granito como o Imperial Brown, o Bordeaux Paraibano, o Branco São Paulo, o Green Pérola, o Cinza Imaculado, o Picuí Tropical, o Suru e o Branco Abelha.
Ao sairmos da pedreira por volta das 12h45 seguimos a PE-090 fomos rumo ao nosso destino final,Toritama (às 13h40)a capital do jeans. Tendo 21.800 habitantes, a principal renda da cidade é o pólo têxtil. Lá nós almoçamos em um ótimo restaurante.
Descansados e satisfeitos fomos ver um pouco da cidade. Notamos que Toritama, além de não ter uma boa organização espacial, também não existe uma organização no comércio, além de que é notável que existe muita pobreza na cidade, apesar dela ser muito forte comercialmente, sendo visitada por pessoas de vários lugares. Também percebemos que por toda a cidade existe lixo espalhado pelo chão, sinal do abandono do governo. Entrevistamos, no pólo comercial de Toritama, um rapaz chamado David Pereira, de 18 anos que trabalha na loja de seu pai, ganhando por mês 650 reais e
O lixo por toda cidade mostra a falta de um governo eficiente
O tranporte público predominante em Toritama
Saímos de Toritama às 4h30, entramos no ônibus. A volta foi muito divertida, pois nós conversamos, assistimos a filmes, lanchamos e voltamos para o Recife. Chegamos às 7h20 exaustos, mas tudo valeu a pena, pois nesse pequeno dia que passamos em algumas cidades de nosso estado, percebemos a tamanha diversidade cultural e natural de nosso querido Agreste Pernambucano, e aprendemos a dar seu devido valor e respeito, e procuraremos transmitir estas idéias e opiniões a outras pessoas objetivando incentivá-las a conhecer e aprender com o nosso belíssimo e rico em todos os aspectos, AGRESTE NORDESTINO!

